A semana não tem sido fácil e terminou hoje comigo a chorar, a bom chorar.
Não tem sido fácil.
Eu sei que é a adaptação e que com tempo as coisas vão ao sítio, mas parece muito mais fácil falar do que realmente o é.
Tentar trabalhar e estar com o M. é uma aventura: entreter, adormecer, alimentar, limpar e nos intervalos, pensar, mas nestes intervalos em que quero trabalhar já estou stressada porque realmente tenho que produzir trabalho.
É maravilhoso ter o meu tempo e sei que sou uma sortuda, não me estou a queixar! (até estou mas ... também me faz falta) e sinto-me mal por estar a escrever isto.
Esta semana reuni com uma colega e amiga:
Chegou pegou no M. blá blá blá e fomos para a reunião.
O M. estava um bocadinho mariquinhas porque tinha levado 3 vacinas no dia anterior e então eu passei a reunião a abanar, a pegar nele, com os olhos postos nele e a dar atenção à conversa... até aqui nada de novo, não foi a primeira vez e não será a última!
Ouvi a apresentação da empresa, coloquei as minhas questões, apresentei os projectos para obter os orçamentos e no fim veio uma frase que me deixou gelada... E tu, agora tens uma vidinha santa!?
Vidinha santa, é isto que as pessoas julgam que é a minha vida! lindo...
Esquecem-se que eu levanto-me à mesma hora que elas, trato do M. dou-lhe leite, visto-o , saio com ele e com toda a tralha ( mala do M. , computador, minha mala) ponho o M. ao colo e aí vamos nós para o atelier.
Ando com as costas fetas num oito... como a entrada do atelier tem escadas, deixo o carrinho no carro e percorro o que for preciso com toda esta tralha, chego ao atelier e como estamos a recomeçar os mails não são assim muitos, mas há reuniões para marcar e sempre coisas para desenhar ( tenho uma obra em curso, uma obra a iniciar com um prazo de execução de um mês, uma obra que espero conseguir ganhar e para isso tenho que trabalhar MUITO, ler muita legislação porque é uma área diferente da que estou habituada a trabalhar, fora os trabalhos de design que estão pendentes e que vamos acompanhando).
Tudo isto não aparece feito, tenho que pensar, imaginar, tentar e desenhar e desenhar e desenhar!!!
No meio disto tenho o M. aos guinchinhos (normais nesta fase em que está a testar a voz!) e não quero que incomode os nossos vizinhos (partilho atelier com mais 4 empresas) então vou cantando e falando com ele, levanto-me e sento-o no parque, dou-lhe água, brinco um bocadinho com ele, deito-o no tapete, coloco-o na espreguiçadeira, dou-lhe o lanche e mudo-lhe a fralda.
Quando o coloco a dormir tenho ali uma janela de tempo que me permite trabalhar mais descansada, mas mesmo assim é uma hora ou no máximo hora e meia.
O dia de ontem foi para ficar de nervos em franja e o de hoje também.
Hoje tinha uma reunião com um cliente, que estava inicialmente combinada para a semana, mas ele quis que fosse hoje, então tive que ir ver o terreno para confirmar umas medidas e lá fui eu com o minimeu, que entretanto tinha que comer e a meio do caminho tive que parar na bomba de gasolina... qual não é o meu espanto quando abro a mala dele e estava toda molhada porque a garrafa de água tinha ficado mal fechada e fiquei com tudo molhado, babetes, muda fraldas, fraldas...
Conclusão, não consegui desenvolver o trabalho o suficiente e desatei a chorar!
A minha tolerância é menos zero para qualquer imprevisto que apareça.
Sinto-me um trapo.
A minha vida apesar de ser a possível, está longe de ser perfeita e muito menos santa e calma como aparentemente as pessoas a julgam.
Não preciso que julguem que sou uma super-mulher, ou que a minha vida é um sofrimento, mas daí a pensarem que se faz isto com uma perna às costas...
Obviamente a pessoa não fez por mal, até porque não tem filhos e isso sim faz toda a diferença, mas atingiu-me numa altura em que estou mais sensível.
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